Quero compartilhar com você um excelente
filme “O Capital”. Seu cartão de visita traz o modelo selvagem do capitalismo: "CONTINUAREMOS
ROUBANDO DOS POBRES PARA DAR AOS RICOS" é a frase estampa do filme. Falamos
tanto em ética e moral. A pergunta que me faço é: “será que é isso mesmo que
estamos buscando?”.
Os cidadãos do século XXI são
escravos do Capital: sofrem com os problemas e celebram os triunfos. Esta é a
história da ascensão de um escravo do sistema que transforma-se em seu mestre.
O trabalhador Marc Tourneuil (Gad Elmaleh) se aventura no mundo feroz do
Capital. Ao mesmo tempo, o chefe de um importante banco de investimentos
europeu se apega ao poder, quando uma empresa americana tenta comprá-los. Um
retrato da situação atual da Europa. A força do Capital. O poder do dinheiro. A
ganância da Banca. A busca mundial do lucro máximo. A luta interna pelo poder
dentro do maior banco europeu. Um Robin dos Bosques moderno cujo lema é roubar
aos pobres para dar aos ricos. Um mundo feroz.
No novo cargo como CEO, o executivo
logo descobre que não pode confiar em ninguém, nem mesmo (e principalmente) em
seus assessores mais próximos. Todos querem o cargo de presidente, que é
retratado com tanta pompa que se tem a impressão de que a presidência em
questão é a da República.
Talvez justamente para insinuar que,
no atual estado do capitalismo global, os presidentes das instituições têm mais
poder que os chefes de governo, o diretor não economiza nas implicações que vêm
com o cargo. Em que mundo ético é esse que vivemos?
Na mais ilustrativa delas, Tourneuil
exige que sua mulher use, a contragosto, um caríssimo vestido de grife para ir
a uma festa. Afinal, ela é a mulher do presidente, e precisa se vestir como
tal. O retrato é o sacrifício que diariamente precisamos fazer para ser o que
na verdade não somos.
As coisas ficam ainda mais
complicadas para o presidente quando o representante de um fundo de
investimentos baseado em Miami (interpretado por Gabriel Byrne, começa a
pressioná-lo para que compre um banco japonês. Neste momento, o que seria ser
ético? Ser ético é algo que enfeita muito as longas páginas dos relatórios internos
das companhias. O Capital, trás um mundo que muitos não acreditam que existe. E
se existe é melhor não acreditar.
Aí, me vem à pergunta: “O que é ser
ético se quem governa o mundo é o capitalismo selvagem?”.
0 comentários
Postar um comentário